Há infinitas versões de mim existindo agora, sou eu quem ligo e desligo a luz da porta de entrada e fecho a janela do quarto. “Eu preciso de um tempo só pra mim.”

Não é o grito que ecoa no escuro, muito menos a sombra que carreguei por tanto tempo e que foi pregada com cuspe e outros selos que só você me ensinou, o conhecimento das suas mãos, as memórias que hojem coexistem no vazio. É uma doce melodia que aprendi a escutar sem deixar escorrer pelos ouvidos, ela diz: “eu tive que aprender a ficar sozinha pra ficar sã.”

Na verdade, eu tive que deixar de aprender várias coisas para aprender a não morrer. 

E isso me fez vazio de corpo e alma. Me faltou tempo. Me faltou tanto do tanto que até a falta fez falta. Me faltou pão na mesa porque eu procurei não faltar eu no sangue. Me faltou fome. Mas eu me confortei dizendo “Estava ocupada devorando meus demônios.”

Há uma ligação discada por mim mesma, ecooada por um som que, se não vem de dentro, é delírio pra fora. 

Essa ligação diz: 

“Eu tive que aprender a ficar sozinha; Eu tive que aprender a me (en)atender.”


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